29
Abr 12

Fábulas de Bocage

autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (Setúbal, 15.IX.1765 -- Lisboa, 21.XII.1805)

título: Fábulas de Bocage

edição: Centro de Estudos Bocageanos, a partir da edição de 1805

introdução e actualização de texto: Daniel Pires

local: Setúbal

ano: 2000

dimensões: 24,5x20,50,8 cm (cartonado)

págs.: 40

ilustrações: Julião Machado

retrato do autor: Nogueira da Silva

impressão: Corlito, Setúbal

tiragem: 2000

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29
Abr 12

TERRA

1

 

Lá em cima, o campanário branco e o galo dos ventos.

A torre deve dez metros de altura ao brasileiro dos Casais.

Meu avô doou um pedaço de quintal. Os outros fizeram o resto.

E hoje -- badalão! badalão! -- toda a serra

tem os ouvidos claros para o som de bronze.

 

Fernando Namora

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26
Abr 12

VITRAIL

Cette verrière a vu dames et hauts barons

Étincelants d'azur, d'or, de flamme et de nacre,

Incliner, sur la dextre auguste qui consacre,

L'orgueil de leurs cimiers et de leurs chaperons;

 

Lorsqu'ils allaient,au bruit du cir et des clairons,

Ayant le glaive au poing, le gerfaut ou le sacre,

Vers la plaine ou le bois, Byzance ou Saint-Jean d'Acre,

Partir pour la croisade ou le vol des hérons.

 

Aujourd'hui les seigneurs auprès des châtelaines,

Avec le lévrier à leurs longues poulaines,

S'allongent aux carreaux de marbre blanc et noir;

 

Ils gisent san voix, sans geste et sans ouïe,

Et de leurs yeux de pierre ils regradent sans voir

La rose du vitrail toujours épanouie.

 

José Maria de Heredia

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26
Abr 12

"Ternos amadores caminhavam"

Ternos amadores caminhavam

no caminho que ia dar ao ponto

mais alto da serra, desapareceram

na luz do sol, davam e tiravam

as mãos, vestiam de maneira quase

igual pelo azul do mar. Espião

apenas do suspeito? Também os

pássaros, os arbustos um pouco

inclinados ao vento, as conchas

calcinadas, mistura de cheiros

bons. Os espinhos secos cravavam-se

nas pernas, vi o que não vi, a

ofegante respiração, o alegre

final. Distante da ameaça e do

perdão deixem-me entrar nesse jogo,

apenas mais um.

 

Helder Moura Pereira

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24
Abr 12
24
Abr 12

IMAGEM

No filme azul do desdobrado céu

decantarei a mínima magia

das sensações mais puras, melodia

da minha infância, onde era apenas Eu.

 

Da realidade nua desce um véu

que, já sem mar, apenas maresia,

me vem tecer aquela chuva fria

que prende esta janela ao claro céu.

 

Despido o ouropel desvalioso,

já não apenas servo, mas o Rei

da luz da minha lâmpada romeira,

 

assim procuro o centro misterioso

do mundo que hoje habito, onde serei

concêntrica expressão da vida inteira.

 

Alberto de Lacerda

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23
Abr 12

"uma mentira talvez"

uma mentira talvez

um canto

uma chantagem

um escândalo

uma trepada

um porre

uma promessa

um plano de vôo

uma carta

um tranqüilizante

uma viagem

um grito

uma lágrima

um sim

 

 

talvez...

 

Cacá Moreira de Souza

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23
Abr 12

As Canções de Bilitis


autor: Pierre Louÿs (Gand, 10.XII.1870 -- Paris, 6.VI.1925)

título: As Canções de Bilitis (Les Chansons de Bilitis, 1894)

versão portuguesa: Júlio Henriques

posfácio: Joëlle Ghazarian

colecção: «Poesia / Autores Universais» #4

editora: Fora do texto

local: Coimbra

ano: 1990

págs.: 192

dimensões: 20,5x15x1 cm. (brochado)

ilustrações: Alexandre Gaspar

impressão: Tipografia Ediliber
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20
Abr 12
20
Abr 12

O POETA

Seara e nuvem, barco e melodia

no coração das feras e das aves,

trazes a aurora em tuas mãos suaves

abrindo a noite, barco e melodia.

 

Lírio solar, estrada e cotovia

jamais sonhada pelas próprias aves,

a morte e a vida, a porta e as chaves

tudo em ti se confunde e anuncia.

 

Sonharam-te os abismos e os morcegos

volvem-se em arcanjos e vêm, cegos

quando os fitas, pousar na tua mão.

 

Só em ti a beleza encontra a forma.

 

Cantas! e logo a noite se transforma

no dia que faltava à Criação.

 

Papiniano Carlos

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19
Abr 12

"Oh! tarde de sábado britânica"

Oh! tarde de sábado britânica,

Poema da rotina,

Prodígio do bem-estar...

Eu, que donde vou, latino e desgrenhado,

Intenso, irregular,

Apenas sei a vibração e o desânimo

(O sol excessivo e a sombra opaca),

Olho-te no deslumbramento

De quem se banha

E se deslumbra

Em penumbra.

 

Reinaldo Ferreira 

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19
Abr 12

SERRA NEVADA

Podeis esquecer a oração

E provar do vinho proibido:

Antes o fogo cruel da danação,

Menos atroz que a Serra Nevada,

Pois consola o pecador arrependido;

Antes as fornalhas do Inferno

Que o agreste de uma tal nortada.

Sem vã soberba daquilo que vos digo

Repetirei o dito do poeta antigo:

Se um dia cair nas penas do Inferno

Isso para mim será quase nada

Desde que aconteça em frio Inverno.

 

Ibn Sara

 

(Adalberto Alves)

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