28
Mar 17
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Mar 17

LAVOISIER

Na Ana Teresa

nada se perde

tudo se queria

de todas as formas

 

Dick Hard,

De Boas Erecções Está o Inferno Cheio

publicado por RAA às 22:37 | comentar | favorito (1)
27
Mar 17
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Mar 17

NUNCA O AMOR FOI BREVE...

Nunca o Amor foi breve,
quando deu fruto.
(Cantai, aves do ar,
em volta do seu berço!)

Sagre-o a Dor, nenhum Amor é vão.
Exulta, voz das ondas!
-- O seu Amor floriu, deu fruto,
como as árvores.

Cantai, aves do ar,
em volta do seu berço.
Cintilantes do Sol, saltai ao Sol,
peixes do Mar.

nunca o Amor foi triste. Nem a Vida
foi menos bela.
Baila contente, lágrima!,
baila nos olhos dela.

Sebastião da Gama,
Pelo Sonho É que Vamos
(póst., 1953)
publicado por RAA às 18:23 | comentar | favorito
26
Mar 17
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Mar 17

CASCAIS

Acabava ali a Terra

Nos derradeiros rochedos,

A deserta árida serra

Por entre os negros penedos

Só deixa viver mesquinho

Triste pinheiro maninho.

 

E os ventos despregados

Sopravam rijos na rama,

E os céus turvos, anuviados,

O mar que incessante brama

Tudo ali era braveza

De selvagem natureza.

 

Aí, na quebra do monte,

Entre uns juncos mal medrados,

Seco o rio, seca a fonte,

Ervas e matos queimados,

Aí nessa bruta serra,

Aí foi um Céu na Terra.

 

Ali sós no mundo, sós,

Santo Deus!, como vivemos!

Como éramos tudo nós

E de nada mais soubemos!

Como nos folgava a vida

De tudo o mais esquecida!

 

Que longos beijos sem fim,

Que falar dos olhos mudo!

Como ela vivia em mim,

Como eu tinha nela tudo,

Minha alma em sua razão,

Meu sangue em seu coração!

 

Os anjos aqueles dias

Contaram na eternidade:

Que essas horas fugidias,

Séculos na intensidade,

Por milénios marca Deus

Quando as dá aos que são seus.

 

Ai!, sim! foi a tragos largos,

Longos, fundos que a bebi

Do prazer a taça – amargos

Depois... depois os senti

Os travos que ela deixou...

Mas como eu ninguém gozou.

 

Ninguém: que é preciso amar

Como eu amei – ser amado

Como eu fui; dar, e tomar

Do outro ser a que se há dado,

Toda a razão, toda a vida

Que em nós se anula perdida.

 

Ai, ai!, que pesados anos

Tardios depois vieram!

Oh!, que fatais desenganos,

Ramo a ramo, a desfizeram

A minha choça na serra,

 

Lá onde de acaba a Terra!

Se o visse... não quero vê-lo

Aquele sítio encantado.

Certo estou não conhecê-lo,

Tão outro estará mudado,

Mudado como eu, como ela,

Que a vejo sem conhecê-la!

 

Inda ali acaba a Terra,

Mas já o céu não começa;

Que aquela visão da serra

Sumiu-se na treva espessa,

E deixou nua a bruteza

Dessa agreste natureza.

 

Almeida Garrett, Fiolhas Caídas (1853

 

publicado por RAA às 21:51 | comentar | favorito (1)
21
Mar 17
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Mar 17

"Nos corredores das lojas a passear, lá em cima,"

Nos corredores das lojas a passear, lá em cima,

arrasta um calçado encharcado,

um saco plástico que verte.

Quando lhe tocam, sujam-se,

mais rápidos caminham fazendo um esgar doentio.

Não tardará que o homem de farda lhe indique a

saída.

 

José  Emílio-Nelson, O Anjo Relicário (1994)

publicado por RAA às 19:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito