O ENAMORADO DAS ROSAS

Toda a manhã, ao sol, cabelo ao vento,

ouvindo a água da fonte que murmura,

rego as minhas roseiras com ternura

que água lhes dando, dou-lhes força e alento.

 

Cada uma tem um suave movimento

quando chamar a minha atenção procura.

E, mal desabrochadas na espessura,

mandam-me um gesto de agradecimento.

 

Se cultivei amores às mancheias,

culpa não cabe às minhas mãos piedosas

que eles passassem para mãos alheias.

 

Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,

alimento a ilusão de que essas rosas,

ao menos essas rosas, sejam minhas.

 

Olegário Mariano

publicado por RAA às 12:41 | comentar | favorito