BARCOS

À querida ilha de São Vicente

de Cabo Verde.

 

       «Nha terra ê quel piquinino

       ê São Vicente ê quê di meu.»

 

Nas praias

Da minha infância

Morrem barcos

Desmantelados.

 

Fantasmas

De pescadores

Contrabandistas

Desaparecidos

Em qualquer vaga

Nem eu sei onde.

 

E eu sou a mesma

Tenho dez anos

Brinco na areia

Empunho os remos...

Canto e sorrio

À embarcação:

Para o mar!

É para o mar!...

 

E o pobre barco

O barco triste

Cansado e frio

Não se moveu...

 

Cambambe, 3 de maio de 1962

 

Yolanda Morazzo

publicado por RAA às 12:36 | comentar | favorito