O CAUTELEIRO

O cauteleiro é velho. Envelheceu

A vender ilusões pelas vielas.

Nos bairros pobres todos o conhecem,

A todos vendeu sonhos em cautelas.

 

Pequenos, grandes sonhos... À medida

Das várias ambições.

Grandes sonhos de viagem, de aventura,

De glória, de esplendor.

Pequenos sonhos de pequeno amor,

De modesta ventura.

 

O cauteleiro é velho, mas que importa?

Continua a apregoar cautelas brancas

E a vender ilusões de porta em porta.

 

Fernanda de Castro

publicado por RAA às 15:15 | comentar | favorito