CANÇÃO NOCTURNA

Café de cais

onde se juntam

anónimos de iguais,

os ratos dos porões,

babel de todos os calões,

rio de fumo e de incontido cio,

sexuado rio,

que busca, único mar,

mulheres de pernoitar,

unge-te a nojo, não Anfitrite,

fina ficção marinha,

mas nauseabundo

e tutelar

o vulto familiar

da Virgem Vício,

Nossa Senhora do Baixo Mundo.

 

Reinaldo Ferreira

publicado por RAA às 14:56 | comentar | favorito