PORTO

Havia nos olhos posto o sentido

de não vencerem distâncias.

Calados, mudos, de lábios colados no silêncio

os braços cruzados como quem deseja

mas de braços cruzados.

 

Os navios chegavam aos portos e partiam.

Os carregadores falavam da gente do mar.

A gente do mar dos que ficam em terra.

As mercadorias seguiam.

Os ventos dispersos na alma do tempo,

traziam as novas das terras longínquas.

Segredavam-se em noite e dias

a todos os homens

em todos os mares

e em todos os portos

num destino comum.

 

Os navios chegavam ao porto

e partiam...

 

Alexandre Dáskalos

publicado por RAA às 11:36 | comentar | favorito