SONETO PLUMÁRIO

No espaço a inquieta pluma rodopia,

rodopia no espaço a pluma inquieta.

Na haste, a gota de sangue da agonia

oscilante no espírito da queda.

 

O espaço é grande e azul demais para essa

pluma plainando solitária e fria

sob o teto de abril, a coisa aérea,

leve, levada pela ventania

 

para o chão, aproxima-se suave,

nota de canto, ainda um pouco de ave,

quando afinal termina o giro e pousa,

 

vê-se que a pluma exânime, caída,

era música e sal, era o gemido

migrante da asa e a lágrima do voo.

 

Mauro Mota

publicado por RAA às 14:45 | comentar | favorito