O DESPRENDIMENTO

Não escrevas, se és Gênio, por vaidade.

Faze tudo o que deves por dever.

Sòmente a alma de apóstolo persuade

e obriga as almas débeis a poder.

 

Que o teu verbo, se és deus, ensine e brade

sacudindo os que morrem sem viver.

Só assim hás de ter sinceridade

para pensar e amor para escrever.

 

Não te lembres da glória, combatendo!

Ela virá quando tiver de vir,

no teu dia mais fúnebre e tremendo...

 

Ela cresce, entroculta, em teu porvir!

Sê digno de esperá-la, assim sofrendo,

sem desejos sequer de a conseguir.

 

José Oiticica

publicado por RAA às 17:15 | comentar | favorito