POEMA

A rapariga na ponte,
com a saia plissada,
uma blusa de cretone
e o cabelo apanhado
em carrapito. A família
já se sentou para jantar,
era uma noite de inverno,
cúmplice enérgica da
cidade -- autocarros vazios

empenhavam-se em regressar,
com motorista agoniados.

Por trás da porta da sala
há uma cristaleira com garrafas
de licor. Não têm rótulo
e ela vai chegar tarde.
Também isso pouco importa.
Não há lareira que lhe seque
a roupa, circula
um veneno, um nevoeiro,
uma névoa torcida e hoje
é o dia dos seus anos.

José Alberto Oliveira
publicado por RAA às 02:47 | comentar | favorito