A UMA TRANÇA DE CABELOS NEGROS

Diversa em cor, igual em bizarria

Sois, bela trança, ao lustre de Sofala;

Luto por negra, por vistosa gala,

Nas cores, noite, na beleza, dia.

 

Negra, porém, de amor na monarquia

Reinais, senhora, não sereis vassala;

Sombra, mas toda a luz não vos iguala,

Tristeza, mas venceis toda a alegria.

 

Tudo sois, mas eu tenho resoluto

Que sois só na aparência enganadora,

Negra noite, tristeza, sombra, luto.

 

Porém, na essência, ó doce matadora,

Quem não dira que sois, e não diz muito,

Dia, gala, alegria, luz, senhora?

 

Jerónimo Baía

publicado por RAA às 15:33 | comentar | favorito