CLAUSTRO

     Apago a luz. De que me vale? Há luzes na rua, há luas no céu, há quanto não são os outros e quanto são os outros -- e sou Eu.

     Na parede branca abriu-se a grade duma prisão: o caixilho da janela desenhado pela luz que vem de fora.

     Volto a acender a luz. E penso: o melhor é não apagar as luzes, não desviar os olhos: olhar e sorrir com mágoa sempre igual e agradecimento sempre maior.

 

António Madeira

(Branquinho da Fonseca)

publicado por RAA às 01:59 | comentar | favorito