SONETO DA PEDRA NA FLORESTA

Somos a pedra que na terra antiga

fora afeiçoada pelas mãos pacientes,

e abandonada à chuva dos milênios

as árvores lhe entraram pelo rosto.

 

A dor nos invadiu e dilacera

e a umidade da selva nos devasta.

Tudo o que outrora foi forma e quebranto

desfaz-se hoje no abraço das raízes.

 

Resta a esperança de salvar a vida,

acolhendo um destino vegetal,

que envolva a rocha mas preserve os olhos.

 

E pela humilde aceitação da sorte,

mutilados embora, mas presentes,

guardemos as almas na floresta.

 

Odylo Costa, Filho

publicado por RAA às 13:35 | comentar | favorito