SONETO

De ti não quero mais do que a memória

Das breves horas idas que me deste,

Como a palma, depois duma vitória...

-- E nada mais dessa vitória reste.

 

De neblina um luar frio reveste

O meu passado: a infância foi-me inglória;

E dela não ficou mais do que a história

Dum menino, uma fada e um cipreste.

 

Não mais serei contigo neste vário

Campo, sonhando, em vaga liquescência...

Luz coada através dum aquário.

 

(Entanto, a serra tem a consciência

Do meu passar por ela solitário,

Como outrora, na minha adolescência).

 

Carlos Queirós

presença #16, 1928

publicado por RAA às 18:22 | comentar | favorito