CORAL

É um dos corais de Leipzig,

o quarto. Sem saber como, desceu ao chão

da alma. A música

é este abismo, esta queda

no escuro. Com o nosso corpo

tece a sua alegria,

faz a claridade

dos bosques com a nossa tristeza.

Pela sua mão conhecemos a sede,

o abandono, a morte. Mas também

o êxtase de estrela em estrela.

E a ressurreição.

 

Foz do Douro, 19.9.97

 

Eugénio de Andrade

in Relâmpago #2, 1998

publicado por RAA às 13:05 | comentar | favorito