"Escrever, tecer um anel"

Escrever, tecer um anel

em redor das coisas

A tinta prolonga

o sangue

consome o saber das sílabas

 

Com um pé na norma

e outro na errância

navego no coração do vento

 

Respiro no milagre

dos gestos ínfimos e graves

 

Faço de espanto

a regra e o sinal

 

Talvez adormeça

encostado ao azul

na mais pura ignorância da morte

 

Fernando Jorge Fabião,

Na Orla da Tinta

publicado por RAA às 13:16 | comentar | favorito