POESIA DEPOIS DA CHUVA

Depois da chuva o Sol -- a graça.

Oh! a terra molhada iluminada!

E os regos de água atravessando a praça

-- luz a fluir, num fluir imperceptível quase.

 

Canta, contente, um pássaro qualquer.

Logo a seguir, nos ramos nus, esvoaça.

O fundo é branco -- cal fresquinha no casario da praça.

Guizos, rodas rodando, vozes claras no ar.

 

Tão alegre este Sol! Há Deus. (Tivera-O eu negado

antes do Sol, não duvidava agora.)

Ó Tarde virgem, Senhora Aparecida! Ó Tarde igual

às manhãs do princípio!

 

E tu passaste, flor dos olhos pretos que eu admiro.

Grácil, tão grácil!... Pura imagem da Tarde...

Flor levada nas águas, mansamente...

 

(Fluía a luz, num fluir imperceptível quase...)

 

Sebastião da Gama,

Pelo Sonho É que Vamos

publicado por RAA às 13:35 | comentar | favorito