SEM PROFISSÃO

o sol

(fraco e frio)

entre ferragens retorcidas

oxidadas

depois de dias de chuva

 

(fios

árvores caídas

lixo por toda a parte)

 

de uma janela

aberta na tarde

sai o som de uma remington

(movida a lenha)

 

um homem sem profissão

tenta o impossível:

escrever um poema

 

a luz

(fraca e fria)

não aquece o seu coração

 

Carlos Ávila

in Claudio Daniel e Frederico Barbosa,

Na Virada do Século -- Poesia de Invenção no Brasil (2002)

publicado por RAA às 19:41 | comentar | favorito