CLAMAVI AD TE

Apenas hoje! Apenas uma vez,

Fala de modo que a verdade seja

Tão clara e transparente, que eu a veja

Num cristal da mais pura limpidez!

 

Talvez seja loucura o que deseja

A minha insaciedade. Sim, talvez...

Que tu fosses, falando, a outra que és,

Com a alma nos lábios, quando beija.

 

Mal empregado privilégio, a fala,

Que traduz a verdade em que pensamos,

As palavras gastando em ocultá-la!

 

Que seja assim quando se odeia, vamos...

Mas para quê se dissimula ou cala,

Quando tudo nos diz que nos amamos?!

 

Carlos Queirós,

Desaparecido

publicado por RAA às 13:39 | comentar | favorito