A CAÇA

Vive longe, para além das muralhas da cidade.

       Suas mãos jamais seguraram um livro,

sabe apenas caçar, é ágil e valente.

       Monta um possante cavalo das estepes

e, no Outono, parte orgulhoso à desfilada,

       seu chicote dourado roça a neve, estala no ar,

ele grita ao falcão e parte à aventura.

       Seu arco, uma meia-lua, jamais falha o alvo,

abate dois grous com una só flecha.

       Quem o vê circundar o lago, afasta-se receoso,

sua reputação inspira temor nos confins do deserto.

       Para quê envelhecer entre os livros da biblioteca?

Os letrados não valem o bravo nómada da planície.

 

Poemas de Li Bai

(versão de António Graça de Abreu)

publicado por RAA às 19:16 | comentar | favorito