FIDELIDADE

Duas andorinhas voando sempre a par,

       não distinguem as torres de jade, nem palácios lacados,

mas juntas pousam,

       não distinguem balaustradas de mármore, nem ornatos de janelas,

mas juntas pousam.

       Incendiou-se a trave onde haviam feito o ninho,

as andorinhas fugiram do palácio imperial.

       O palácio também devorado pelo fogo,

mortos a andorinha-macho e os filhotes.

       Ao regressar, a andorinha-fêmea pairou longamente no ar,

contemplando as ruínas do palácio.

       Esta história me entristece.

 

Poemas de Li Bai

(trad. António Graça de Abreu)

publicado por RAA às 13:13 | comentar | favorito