05
Nov 14

CIDADE

Narrativa sem sequência

Sem progressão

 

 

Sem personagens

Principais

 

 

Xadrês infinito

De milhões de corpos

 

O xadrez das almas

Esse

Mais hermético ainda

No colosso da urbe

 

Londres

21 de Junho 90

 

Alberto de Lacerda

publicado por RAA às 00:07 | comentar | favorito
25
Set 14

"Silêncio"

Silêncio

 

 

 

Mestre

 

 

 

O mestre

 

 

 

Supremo

 

Yèvre-le-Châtel

7 de Julho 90

 

Alberto de Lacerda

publicado por RAA às 13:15 | comentar | favorito
25
Jul 14

YÈVRE-LE-CHÂTEL

Dias intensos

 

 

Verde

 

 

Onde paira

 

 

Refractada

 

 

A eternidade

 

Yèvre-le-Châtel

4-5 de Julho 90

 

 

Alberto de Lacerda, Átrio

publicado por RAA às 13:16 | comentar | favorito
20
Jun 14

"A rosa canta"

A rosa canta

Para além da janela

Há muitos dias

 

 

 

Vai esmorecendo

 

 

Sem que ninguém

                             quase

Dê por isso

 

Yèvre-le-Châtel

4 de Julho 90

 

Alberto de Lacerda, Átrio

publicado por RAA às 13:03 | comentar | favorito
04
Fev 14

"Café"

Café

 

 

Espiral de energia

 

 

Explosão deliciosa

Do prazer

 

Yevre-le-Châtel

26 de Junho 90

 

Alberto de Lacerda,

Átrio

publicado por RAA às 13:49 | comentar | favorito
26
Jun 13

"Os pássaros"

Os pássaros

Estabelecem diálogos

Que ninguém entende

Felizmente

 

Como tudo o que é puro

De raiz

O que os pássaros dizem

Não se traduz

 

Yèvre-le-Châtel

25 de Junho 90

 

Alberto de Lacerda,

Átrio

publicado por RAA às 13:40 | comentar | favorito
28
Jan 13

"Eras o príncipe"

Eras o príncipe

Das varandas lentas das tardes de província

 

Eras a sabedoria simples dos dias

Um após outro

 

Eras uma espécie de silêncio

 

Ou anjo

Sem o saber

 

Daí o teu traço estreme

 

Tuas palavras parcas

 

         

                       Londres, 13 de Abril de 1988

 

Alberto de Lacerda

in Série Poeta -- Homenagem a Júlio / Saul Dias

edição de valter hugo mãe

publicado por RAA às 19:14 | comentar | favorito
24
Abr 12

IMAGEM

No filme azul do desdobrado céu

decantarei a mínima magia

das sensações mais puras, melodia

da minha infância, onde era apenas Eu.

 

Da realidade nua desce um véu

que, já sem mar, apenas maresia,

me vem tecer aquela chuva fria

que prende esta janela ao claro céu.

 

Despido o ouropel desvalioso,

já não apenas servo, mas o Rei

da luz da minha lâmpada romeira,

 

assim procuro o centro misterioso

do mundo que hoje habito, onde serei

concêntrica expressão da vida inteira.

 

Alberto de Lacerda

publicado por RAA às 16:44 | comentar | favorito
07
Nov 11

RENÚNCIA

Deixei enfim de pedir

Eternidade ao amor

 

Aceito o ritmo sem ritmo

Que há por dentro desse ritmo

Que não se vê não se ouve

Mas eu sinto deslumbrado

Quando os teus olhos acendem

Os corredores da noite

 

Alberto de Lacerda

publicado por RAA às 15:16 | comentar | favorito
07
Out 11

MANDIMBA METÓNIA VILA CABRAL

Infância triste mas encantada

Em casas grandes mas sombrias

Outras crianças não as havia

Os meus amigos? Dois grandes gatos

A luz e o vento a água a água

 

Se alguém tocava velho e roufenho

O gramofone de manivela

Eu perturbava-me e a quem me via

Com lágriimas que não entendia

 

Havia festas de vez em quando

Eram janelas do paraíso

Lembro os adultos Como eram estranhos

Como eram estranhos e imprevistos

 

Como eu sentia que não sei onde

Um outro reino de festa e luz

Inteiramente me pertencia

E só de longe naquelas casas

Naquela gente que me era fria

Muito por alto se reflectia

 

Vila Cabral, 22-2-63

 

Alberto de Lacerda

publicado por RAA às 14:54 | comentar | favorito