05
Abr 17

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«O que os poemas querem dizer, só eles sabem o que querem dizer.»

António Carlos Cortez, «Herberto Helder -- O nome mais obscuro»
JL-Jornal de Letras, Arte e Ideias,
Lisboa, 29 de Maio de 2013
publicado por RAA às 18:45 | comentar | favorito
26
Ago 10

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acreditar que a pedra é de pedra na superfície rugosa
feita de cinza e xisto de níquel e de prata
e que um astro não se apunhala nem mesmo em caso
de saberes que o níquel se sobrepõe ao fogo
acreditar que depois há uma soma das sombras
que ainda vamos a tempo de saber que a cinza é o xisto
que a geografia das mão é um húmus de singular medida
acreditar nessa mistura de animais e pedras
que de repente se evola o negrume de um barco
para que sempre se provoque a combustão de águas
e nunca permanecer num luar que seja de lodo
e nunca assegurar um branco que cegue e que perfure
acreditar na luz e depois dela na mesma luz secreta
um poema basta para acreditar numa pedra incerta

António Carlos Cortez
publicado por RAA às 14:36 | comentar | favorito
26
Set 09

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é quando a noite é um animal ferido
que o poema salva quem o lê abandonado
quando se pressente a voz enlouquecida
de alguém que nos olhou e descobriu
é quando a noite rouba a luz do dia
para construir suas altas fragas de silêncio
e um galope de lábios na sua verdura
nos invade ou nos recolhe em suas crinas
é quando a linha de sombra é o azul da chama
ainda antes de ser contra a pureza nua
o edifício das palavras com dois gumes
é quando sabemos que nos encontramos
num café numa esquina que então escutamos
a pedra angular da nossa vida o poema escrito

António Carlos Cortez
publicado por RAA às 00:50 | comentar | favorito