28
Abr 11

VERÃO SEM MITOS, COMO CONSUMIR

Verão sem mitos, como consumir
teus frutos tão sem sol neste pomar?
Ai de nós nesta terra sem florir!
Outubro nos escorre devagar...
Nos campos, sem besouros a zumbir,
pararam todos já de trabalhar.
Os motes que glosávamos a rir
novembro, em tristes voltas vem glosar.
E tu, sazão, que este País fruía,
quem te ofuscou do Nume o brilho louro
arder nos faz em labareda fria...
Eis perdida no caos a Idade do Ouro!
E a crer em quanta crença e profecia,
este tempo será mais duradouro...

Jayro José Xavier
publicado por RAA às 11:48 | comentar | favorito
13
Set 10

SONETO GEOMÉTRICO

O risco de um soneto geométrico
a régua, rima, quadra, esquadro
um soneto no fundo bem patético
e doce, sem deixar de plástico.
Quero de Mondrian e de Petrarca
essa perfeita síntese dialética
num heróico polígono sintático.
Oh! a retórica das linhas retas!
Perdida entre metáfora e objeto
arde a língua sem ver comunicar
um tempo grave, esdrúxulo, etc.
Jayro José Xavier
publicado por RAA às 11:08 | comentar | favorito