LUGAR

Na curva da memória
Por dentro dos olhos do tigre
Adentro da respiração da ária
Além da boca aberta sobre a boca
Através da palavra ausente do pai
Sob a bênção da violenta maternidade
Uns metros antes da curva para
A estrada desenhada pelo esquecimento
No lugar e na geometria
Do teu sangue pressentido
Penso na minha morte.

Caminham num filme com planícies
Na arquitectura invisível dos antepassados.

Uma ursa grávida de luz e quartzo
Com nuvens escritas na palma da mão
Um sexo com lábios que
Quando falam nos recantos
Aquieta a cor vermelha desta língua.

Desenhos de galáxias e estrelas
Rasgam o pensamento a
Pensar na tua morte
Num ecrã de cavalos adormecidos.

11 de Setembro de 2001


João Lopes
publicado por RAA às 16:02 | comentar | favorito