A natureza sempre desperta estado de espírito favorável ao poema. Esse lirismo no entanto deverá mudar, desaparecer, talvez.
Aqui onde moro, São Paulo, há espaços tão concretados, tão sem folhinha verde ou água azul que fico pensando: quais epifanias ou emoção surgirão para que se escrevam poemas. Não que só a natureza será matéria de poema, mas, sem ela ( que vai sumir, é progressivo o desmatamento do mundo) do que é que se nutrirão os poetas? Não haverá correspondência entre o medo e o abismo do mar; ou a alegria e o campo de morangos.
Vidas Secas é prosa seca e poética, mas secura cujo tema é o avesso da água. No dia em que não mais houver água: nem prosa nem verso. Haverá água de artifício, talvez, glóbulos diários. E a poesia? Desaparece? Aposto que sim.
rose prado a 14 de Julho de 2011 às 16:49

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