BANCO DE TRÁS

Sábado à tarde, uma certa luz
Atravessa a rua no meio dos telhados
Retoques no carro, aguarrás no pincel
E o tricot no banco da frente, rápido

Domingo, o almoço em qualquer lugar
Longe daqui, desta tristeza sem voz
Mas o preço da gasolina sobe depressa
Cortando os domingos do mês, quase todos

No banco de trás o cão dorme
Sem fralda nem ternura como criança
Ficará só o beijinho da fotografia
Cão objecto que deitarão fora como cigarro

Ninguém rouba este automóvel nunca
A loucura é feita neste lugar
Cigarros, jornais, música e sono
Sempre na preguiça dos minutos

José do Carmo Francisco
publicado por RAA às 02:42 | comentar | favorito