22
Set 10

...

...................Eros, olhando para a minha barba
grisalha, com um sopro das suas asas douradas,
voa ao largo.

Anacreonte

(Maria Helena da Rocha Pereira)
publicado por RAA às 23:59 | comentar | favorito

ONTEM

O antigo é a doença que eu mais detesto:
É viciar o que já foi virtude!
O tornar ao Passado é sempre um resto,
Ou pior, uma falta de saúde.

Afonso Duarte
publicado por RAA às 20:54 | comentar | favorito

Manual de Prestidigitação

autor: Mário Cesariny (Lisboa, 9.VIII.1923 - 26.XI.2006)
título: Manual de Prestidigitação
colecção: «Obras de Mário Cesariny» #1
editora: Assírio & Alvim
local: Lisboa
ano: 1981
capa: arranjo gráfico de Manuel Rosa
págs.: 174
dimensões: 19,8x13,5x1,3 cm. (brochado)
impressão: Beira Douro, Lda. (Lisboa)
tiragem: 3000
publicado por RAA às 19:18 | comentar | favorito

THE LAST ROSE...

"Tu m'as dit un jour, en regardant la mer bleue
-- oh! aussi bleue que mes yeux: "Miss,
l'Amour (et tu as ri!) l'Amour est un
adorable mensonge... qui nous saisit."

Miss dos Olhos-Azuis, Tranças-Escuras,
Minha enigmática Senhora Inglesa,
Nos teus cabelos eu bebo loucuras,
Deitado nos teus olhos de turquesa!

Sorvo em teu corpo o aroma da Beleza
Sonâmbula de antigas Miniaturas:
E no teu colo esbelto, sem magreza,
O orvalho das ofélicas Alvuras.

Mulher única! em ti vivo o meu Sonho:
E é só de sonho a Alma que tu sondas
Com pesos d'astros no olhar risonho...

Na vida o Amor, e digo-to chorando,
É, como ouviste já -- olhos nas ondas --
Pretexto apenas pra sofrer... cantando!

Fausto Guedes Teixeira
publicado por RAA às 17:09 | comentar | favorito

TROVA À MANEIRA ANTIGA

Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.

Com dor, da gente fugia,
Antes que esta assim crescesse;
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.
Que meio espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo,
Tamanho imigo de mim?

Sá de Miranda
publicado por RAA às 15:20 | comentar | favorito

VONTADE DE DORMIR

Fios de oiro puxam por mim
A soerguer-me na poeira --
Cada um para o seu fim,
Cada um para o seu norte...


........................................................

-- Ai que saudades da morte...

........................................................

Quero dormir... ancorar...


Arranquem-me desta grandeza!
--P'ra que me sonha a beleza,
Se a não posso transmigrar?...

Mário de Sá-Carneiro
publicado por RAA às 12:56 | comentar | favorito
22
Set 10

OUTONO DA ALMA

Pelas praias desertas ao sol-pôr
Vagueia a minha sombra fugidia.
E nos corcéis do vento o meu cabelo
Esvoaça ao sabor da tarde fria.
E no abandono dos areais lisos
A espuma vem de longe desmaiar...
Recolhem as gaivotas às cavernas
Enquanto o pescador vai para o mar.

Descerra a noite a ponta do seu manto
Sobre a terra nessa hora de magia
E as rochas vão batendo contra as rochas
Enquanto o sino canta o fim do dia.
E na solidão da praia deserta
E no escuro da noite sem luar
O Outono da minha alma se apodera
E eu caio sobre a areia a soluçar.

Fátima Dionísio
publicado por RAA às 11:53 | comentar | favorito