26
Set 10

REMOINHO

Nos ares nada está quedo,
Faz vento que mete medo,
Turva poeira arrepia.

Uiva o Diabo, assobia...

E o vento as coisas embrulha
Que nem palha na debulha.

Folhas, ao sopro daninho,
Gaivotam reviravoltas
Que nem velas de moinho.

Andam Diabos às soltas...

Ramos cá, ramos além,
Sofrem tratos de polé,
E mal um homem se tem
Firme e senhor de seu pé.

-- Ó passarinho, não fujas!
-- Poisa nos ramos mais altos!?
Até no bico das corujas
A Natureza dá saltos.

Afonso Duarte

publicado por RAA às 23:41 | comentar | favorito

...

[fragmento]

1. -- É um jardim de entre os jardins que está cheio de tristeza como se estivesse coberto de censuras.

2. -- As nossas entranhas desgrarram-se dentro dele como se as suas árvores fossem um exército emplumado.

3. -- A aurora já estendeu o seu manto de luz sobre as pérolas dos canteiros floridos.

4. -- É como se o orvalho tivesse espargido sobre ele limalhas de prata, que tivesse limado no ar.

5. -- Como se o seu tanque fosse o espelho de uma jovem, brunido, ou um pavimento alargado de cristal.

6. -- Quando cantam os pássaros sobre ele, parecem os cantores Ishãq, Ziryãb e Mu'bad.


Ibn Muqãna de Alcabideche

(María Jesús Rubiera Mata, do árabe;
Pepita Tristão, do castelhano)
publicado por RAA às 17:36 | comentar | favorito

...

Ao lar, Vésper, tu fazes que regressem todos
Que a radiante Aurora aos longes conduziu:
Ovelhas ao redil, as cabras aos apriscos,
E os filhos para o pé de sua mãe.

Safo

(Joge de Sena)
publicado por RAA às 13:13 | comentar | favorito
26
Set 10

Primavera Autónoma das Estradas

autor: Mário Cesariny
título: Primavera Autónoma das Estradas
editora: Assírio & Alvim
local: Lisboa
ano: 1980
págs.: 222
dimensões: 19,9x13,2x1,7 (brochado)
capa: Manuel Rosa
impressão: Beira Douro (Lisboa)
tiragem: 3000
publicado por RAA às 09:47 | comentar | favorito