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Nov 10

THE BOMBS

There are no more words to be said
All we have left are the bombs
Which burst out of our head
All that is left are the bombs
Which suck out the last of our blood
All we have left are the bombs
Which polish the skulls of the dead

February 2003


Harold Pinter
publicado por RAA às 19:53 | comentar | favorito

O POMAR DO TEU NOME

1.

Minha constelação de versos nunca ditos,
que são teus olhos? -- Pomares de rosas,
estrelas que nos beijos eu pressinto...
Pomos onde me afogo como taça.
E nervos de fogo as minhas mãos em teu corpo fugidio.
Sagrei-te numa noite de mar e de maçãs
ao ritmo de futuros prometidos,
e as calçadas incendiaram-se no lugar do teu nome
descobrindo-se.

Manuel Cândido
publicado por RAA às 16:17 | comentar | favorito

VENTO DE LIBERDADE

Das entranhas da terra
irrompe um vento alucinado
que varre... varre... varre
as folhas secas do mundo...

Vento que geme e uiva fundo
e fere como punhais
o coração dos mortais...

Vento horrível e cruel
que espezinha e enrodilha
e dá guerra sem quartel...

E ora rasteja em gemidos,
ora se eleva em furores
e uiva como um trovão,
é VENTO DE LIBERDADE
que o pobre mundo assombrado
pretende reter na mão...

Amélia Veiga
publicado por RAA às 15:23 | comentar | favorito

A VIDA

A vida é tudo quanto Deus nos deu;
Rio por entre montes sem ter leito,
É fonte que brotou e não correu,
Que nasceu e secou dentro do peito...

A vida, a vida é qual água corrente
Que foge sem se ver por entre abrolhos.
Vem da fonte do amor -- água que sente --
E vai do peito para os nossos olhos.

A vida é ser-se lume, é ser-se brasa,
É ser aqui Desejo, ali Cuidado,
É um querer voar e não ter asa,
-- Um corpo de mulher todo apertado. --

A vida é uma rocha onde me agarro
E abraço, co'as mãos da Ânsia e do Amor;
Envolve-me cingindo o grande Vago,
E espreita-me a Morte em derredor.

A vida é o nosso amor feito escultura:
É tudo o que se aperta e que se adora.
Beleza de mulher que pouco dura --
A vida são mil anos numa hora.

A vida é um mudar-se a cada instante,
É um andar o tempo assim mudado;
É tomar um minuto por distante,
É ter por Sempre o tempo bem contado.

Luís de Montalvor
publicado por RAA às 14:32 | comentar | ver comentários (2) | favorito
11
Nov 10

...

Ali onde as rosas se doavam
A quem, pousando a mão, se debruçasse,
Ficou uma saudade sem história
Nem dor... Só de alegria
O sentimento pleno a quem ousasse
Colhê-las na memória.

Ninguém perceberá morta a distância,
Nem o aroma breve que evolavam.

Só a saudade de uma luz perfeita,
Descendo na minha alma a minha vida,
Descobre, junto a uma pétala desfeita,
O teu olhar puríssimo.

Ruy Cinatti
publicado por RAA às 11:07 | comentar | favorito