25
Nov 10

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Poemas escritos por abismos sem fim, na
Minha alma, através da luz das minhas
Lágrimas, buscando a infância velha
Por naves desmedidas e finais, sangrando
Para sempre a sombra.

Fernando Botto Semedo
publicado por RAA às 23:55 | comentar | favorito

APONTAMENTO

curvada ao peso
ao peso brutal
dos blocos de pedra
e os olhos no chão
os olhos na terra
anda na obra
levando o cimento
a pedra e a cal
ao mestre pedreiro
e curvada ao peso
ao peso da vida
de lágrimas secas
e sangue sem vida
traz o seu filho
preso nos panos
dobrados nas costas
nas costas curvadas
ao peso brutal
do cimento e da areia
que leva cantando
ao mestre pedreiro

João Abel
publicado por RAA às 18:32 | comentar | favorito

SACRIFÍCIO

Foi na tarde morena da conquista.
Guisos, pendões, tinir de luz, corcéis.
Relâmpagos doirados pela vista...
Processional, El-Rei caminha -- e o cortejo é de painéis!

Tatuagens de alarido a incrustar a tarde. Palmas!
Cheiro álacre de febre... E as lanças a crescer...
Os corpos deixam transbordar as almas,
Tit'res, que a mão de Deus, apenas, faz mover...

Rola a hora de Deus pela campina rasa.
Hora de Sacrifício! A pira está em brasa.
A pedra de ara é branca e o fumo sobe a esmo.

Ergo a mão constelada de triunfos idos.
Súbito, a voz de Deus retine aos meus ouvidos:
Quebra o teu cetro e a lança, entrega-te a ti mesmo
Américo Cortês Pinto
publicado por RAA às 17:08 | comentar | favorito

A JOÃO RUI DE SOUSA

no aparecimento do seu Respirar pela água

Não só gravar no tempo o azul do mundo
em versos de cristal e claridade
ardendo entre vocábulos profundos
mas ouvir pela noite -- rocha densa --
a vida em seu fermento de raízes
quando a fonte respira e as águas pensam

Joaquim-Francisco Coelho
publicado por RAA às 14:35 | comentar | favorito
25
Nov 10

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felizes aqueles que
a terra toda por alimento
toda a fome por caminho

Bénédicte Houart
publicado por RAA às 11:16 | comentar | favorito