01
Fev 11

...

à victor brauner

tiens c'est le chat illégal
quoi qu'absolument visible
il allume un feu tout blanc
il vient de jeter de l'eaux aux virgules
père    mère    poire    poète
attention le nain vous respire
fuez ses gants coupez vite le sable
on va être morts sous la table

Mário Cesariny
publicado por RAA às 19:44 | comentar | favorito

ROTEIRO DO NOVO-MUNDO

Com duas tábuas fiz
O barco onde navego
E onde sou tão feliz
Que nunca chego.

Meço a altura do sol, fico a sabê-la
Queimando a carne e a vista,
E à noite olho uma estrela
Que já talvez não exista.

Branquinho da Fonseca
publicado por RAA às 16:32 | comentar | ver comentários (4) | favorito
01
Fev 11

SONÊTO DO FACHO IMÓVEL

Queimei as mãos no sol de um casario
Que nem pudera revelar mais puro.
Alto, saudoso, inatingido muro,
Onde com o céu rolei, num calafrio.

Brasa de estrêla, crepitar macio
De facho imóvel no silêncio escuro:
Sonho remoto vindo de um futuro
Que muito mal nas mãos desfaço e crio.

Queimei-as na insofrida claridade
Que desnudava as únicas janelas
Abertas sôbre o beco friorento.

Uma aflição de ausente, uma saudade
De azul perdido e flôres amarelas,
Restos de morte, patamar cinzento...

Alphonsus de Guimaraens Filho
publicado por RAA às 11:13 | comentar | favorito