04
Fev 11

Poesia de Ontem e de Hoje para o Nosso Povo Ler

título: Poesia de Ontem e de Hoje para o Nosso Povo Ler
antologiador: José Régio (Vila do Conde, 1901-1969)
os poetas: João Roiz de Castelo Branco, Jorge de Aguiar, Sá de Miranda, Luís de Camões, 2 anónimos, Frei Agostinho da Cruz, Francisco Rodrigues Lobo, Nicolau Tolentino, Tomás António Gonzaga, Bocage, António Feliciano de Castilho, Almeida Garrett, Soares de Passos, João de Deus, Antero de Quental, Gonçalves Crespo, Guerra Junqueiro, Gomes Leal, Fernando Caldeira, Cesário Verde, António Nobre, Eugénio de Castro, António Feijó, Afonso Lopes Vieira, António Correia de Oliveira, Augusto Gil, Florbela Espanca, Teixeira de Pascoais, Afonso Duarte, João de Barros, Sebastião da Gama, Fernando Pessoa, Pedro Homem de Melo, Francisco Bugalho, Fausto José, Adolfo Casais Monteiro, Alberto de Serpa, Miguel Torga, Saul Dias, José Régio.
colecção: «Colecção Educativa», Série G, #5
edição: Campanha Nacional de Educação de Adultos
local: [Lisboa]
data: 1956
págs.: 116
dimensões: 16,5x11,3x1,3 cm. (brochado)
impressão: Neogravura, Lisboa
capa e ilustrações: António Vaz Pereira
obs.: o poema de Régio foi incluído pelos organizadores da colecção, e não pelo próprio.
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...

                                                             Invadiu-me uma sensação de calma,
                                                            de tristeza e de fim.
                                                            VIRGINA WOOLF

Ao teu lado, mudo.
Suponho que pousei a mão
No teu ombro, não sei,
Ausentes ambos,
Tu do ombro, eu da mão.
Lá fora, não muito longe
Do vidro, a manhã passa
E é calma, tristeza, fim.

Nuno Rocha Morais
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PRELÚDIO

                                                               Para António Aurélio Gonçalves

Quando o descobridor chegou à primeira ilha
nem homens nus
nem mulheres nuas
espreitando
inocentes e medrosos
detrás da vegetação.

Nem setas venenosas vindas no ar
nem gritos de alarme e de guerra
ecoando pelos montes.

Havia somente
as aves de rapina
     de garras afiadas
as aves marítimas
     de voo largo
as aves canoras
     assobiando inéditas melodias.

E a vegetação
cujas sementes vieram presas
nas asas dos pássaros
ao serem arrastadas para cá
pelas fúrias dos temporais.

Quando o descobridor chegou
e saltou da proa do escaler varado na praia
enterrando
o pé direito na areia molhada

e se persignou
receoso ainda e surpreso
pensando n'El-Rei
nessa hora então
nessa hora inicial
começou a cumprir-se
este destino ainda de todos nós.

Jorge Barbosa
publicado por RAA às 14:14 | comentar | favorito
04
Fev 11

...

Era de noite
Estava com a maria da purificação que falou:
-- aliança perdida no mar dá azar!
-- ou sorte
-- sim...

ouvia-se um trio com trompete de chet baker
-- eu usava aliança quadrada!
-- Ahh essas são antigas! A minha era fininha...

A voz de chet baker a cantar é como uma vadiagem ébria

-- ...aqui ainda é assim; não sei como será lá nas outras bandas!...

era noite a fingir de fantasias entre objectos silenciosos e livros
com dedicatórias de relações que o tempo ultrapassa inventando
outras façanhas d'amores e conversas tantas como nus & loucos
do daqui a pouco nascer do dia

José Andrade (Zan)
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