10
Fev 11

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É dever sacro do fogo alastrar
Alar aos astros    falar
Em múltiplas línguas a origem
E sua própria consumação.

Ao homem é dever do fogo
Levá-lo rubro aos metais
Moldar-lhe a mão rupestre
Até à mais branda penugem.

São do fogo e do homem conquistas
Os planaltos    sinais no deserto
E salvação no mar.

José Carlos González
publicado por RAA às 23:57 | comentar | favorito

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Eu, louçana, en quant' eu viva for,
nunca já mais creerei per amor,
     pois [que] me mentiu o que namorei,
     nunca já mais per amor creerei,
     pois que mi mentiu o que namorei.

E, pois m' el foi a seu grado mentir,
des oimais me quer' eu d'amor partir,
     pois [que] me mentiu o que namorei,
     nunca já mais per amor creerei,
     pois que mi mentiu o que namorei.

E, direi-vos que lhi farei por en:
d'amor non quero seu mal, nen seu ben,
     pois [que] me mentiu o que namorei,
     nunca já mais per amor creerei,
     pois que mi mentiu o que namorei.

Martim de Padroselos
publicado por RAA às 14:17 | comentar | ver comentários (3) | favorito
10
Fev 11

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Um áspero deserto me encerra no seu peito
Do qual sou sua pena e palpitar.
Sob a veste da noite por mim arde uma brasa
E luz formosa a túnica do amanhecer.
Dou-me às trevas: cálido vento
Que entre pestanas de nuvens vai passando.
A noite, grandes e negras pupilas,
Cerra-me os olhos
E sorri-me a aurora com soberbos dentes.

Ibn Al-Murahhal 

(Adalberto Alves)
publicado por RAA às 10:59 | comentar | favorito