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Fev 11

Poemas Póstumos

autor: António Gedeão (pseudónimo de Rómulo de Carvalho, Lisboa, 1906-1997)
título: Poemas Póstumos
edição: 5.ª
local: Lisboa
colecção: «Colecção Poética» #1
editora: Edições João Sá da Costa
ano: 2000
págs.: 103
dimensões: 20,6x12,7x0,5 cm. (brochado)
impressão: Tipografia Guerra, Viseu
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SERRANILHA

A serra é alta, fria e nevosa;
vi venir serrana, gentil, graciosa.
Vi venir serrana gentil graciosa
cheguei-me per'ela con gran cortezia.
Cheguei-me per'ela com gran cortezia,
disse-lhe: «Senhora, quereis companhia?»
Disse-me: «Escudeiro segui vossa via.»

Gil Vicente
publicado por RAA às 16:48 | comentar | favorito

SONETO

Quem te sonhara plasma de água e canto,
Límpida e nua, rosa de cristal,
Substância de silêncio concentrado
Egressa de meu sonho para o azul.

Quem te cantara acima de meu sonho,
-- Quedo este amor -- só puro pensamento
E corpo nu, beleza fabulosa
Que a morte apenas torna perdurável.

Não mais meu canto, que hoje serenado,
Pastor de sombras, te transmuta em símbolos,
Alheio ao tempo, junto a um velho rio.

Não mais o sonho, agora solitário;
Amor não mais, que, a vida alimentando,
Flui subterrâneo, em mito transformado.

Darcy Damasceno
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Fev 11

STANZAS FOR MUSIC

Muita mulher tem beleza,
nenhuma a tua magia;
e a tua voz tal riqueza,
que nem a da melodia
por sobre as águas do mar:
quando, num encantamento,
sonhando adormece o vento
e a onda pára um momento
e desfalece, a brilhar...

E a lua no céu fiando
a sua teia, a sorrir;
e o mar brandamente arfando
qual criancinha a dormir:
assim, dentro da minha alma,
eu me inclino, ao encontrar-te,
me suspendo, a escutar-te,
me curvo, para adorar-te:
com funda emoção, mas calma.

George Gordon Byron

(Luís Cardim)
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