06
Abr 11

A NAU DO TEMPO

Esconjuro o feitiço do retorno
e sigo nos meus passos, os meus passos,
alheio aos gritos das marés.
Ainda, nos sinais de toda a praia,
um pedaço de luz que lá ficou
retido numa poça de silêncio...
As raivas apodrecem pelas sombras
e as palavras caem absurdas
nas barcas que perderam o futuro.
As rochas são fantasmas na penumbra
que a madrugada vem despir dos medos
a deixar-nos seguir mais adiante,
como se a «Nau-do-Tempo» lá ficasse
para podermos aumentar o Mundo!

Ulisses Duarte
publicado por RAA às 23:58 | comentar | favorito

...

A mim o que me mata,
querido efebo, digo-te:
desejo sem prazer,
versos sem graça ou ritmo,
e ceias só com chatos.

Arquíloco

(Jorge de Sena)
publicado por RAA às 16:49 | comentar | favorito

...

Eu sei que a rota já virou;
a minha:
um último cansaço,
um último
impossível
esforço
do meu braço.

O corpo inteiriçado pra aguentar o leme.
A vela da ilusão tão retesada,
tão grávida de força,
que a nau é dominada.

O coração não teme.
Está tudo o que me resta,
a dor e a alegria,
a força e a esperança,
o tempo e a ansiedade,
está tudo acorrentado ao barco que protesta.

Cochat Osório
publicado por RAA às 14:17 | comentar | favorito
06
Abr 11

...

Os grandes livros são aqueles que nos forçam a escrever.
publicado por RAA às 11:11 | comentar | favorito