07
Abr 11

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          Brame, brame, brame
nas tuas frias pedras pardas, Mar!
Ah, soubera dizer-te a minha boca
tudo quanto me está a recordar!

Feliz do bom mocinho, lá na praia,
a correr, a brincar com sua irmã!
Feliz do pescador, no seu batel,
a cantar a alegria da manhã!

E os soberbos veleiros vão vogando
para bom porto, sob o vasto céu;
-- mas quem me dera a mim tornar a ouvir
o som de certa voz que emudeceu!

          Brame, brame, brame
     nas tuas cavas penedias, Mar!
Mas ai da graça terna da hora que passou,
     e nunca, nunca mais há-de voltar!

Tennyson

(Luís Cardim)
publicado por RAA às 17:23 | comentar | favorito

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Mha madre, venho-vos rogar
como roga filh' a senhor,
o que morre por mi d'amor
leixade-m' ir co[n] el falar;
     quanta coita el sigo ten
     sei que toda lhi por mi ven.

E sodes desmesurada,
que vos non queredes doer
do meu amigo, que morrer
vejo, e and' eu coitada;
     quanta coita el sigo ten
     sei que toda lhi por mi ven.

Vee-lo-ei, per bõa fé,
e direi-lhi tan gran prazer
per que el dev' a guarecer
poi'-lo seu mal cedo meu é:
     quanta coita el sigo ten
     sei que toda lhi por mi ven.

     oje se part' o coraçon!

D. Afonso Mendes de Besteiros
publicado por RAA às 14:34 | comentar | favorito
07
Abr 11

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Bom é que não esqueçais
Que o que dá ao amor rara qualidade
É a sua timidez envergonhada.
Entregai-vos ao travo doce das delícias
Que filhas são dos seus tormentos.
Porém, não busqueis poder no amor...
Que só quem da sua lei se sente escravo
Pode considerar-se realmente livre.

Ibn 'Ammar

(Adalberto Alves)
publicado por RAA às 11:05 | comentar | favorito