19
Abr 11

ADAGIO

Repouso a minha fronte
Dorida no teu peito:
E o meu bem-estar é feito
De não ter horizonte.

Nela sentindo, leve,
A tua mão passando,
Fico entressonhando
O derreter da neve...

Que translúcido vago
Meu suave esquecer
No teu último afago...
-- O meu anoitecer.

Nada hoje me peça
O teu querer-me : deixa
Que tão breve adormeça
Como a tarde se fecha.

Carlos Queirós
publicado por RAA às 20:52 | comentar | favorito

LA STATUE ABANDONÉE

Le corps de la femme était un ciel plein d'ombres
sa nuée s'allongeait brisée en plis amers
les lianes les fougères embrassaient la pierre
et deux mains parfumées s'ouvraient à mon approche

Géo-Charles
publicado por RAA às 14:46 | comentar | favorito
19
Abr 11

MAÇÃS E PÊRAS

Aceitai,
     Como rostos amáveis que se vos mostrassem
     Ou tímidos seios palpitando vossas mãos
estas maçãs: Pérolas entre nós espalhadas
Como botões em seu ramo postos.
Tomai-as e ofertai-as aos presentes
Como vinho preso de surpresa
Pelo gelo de inverno.
Eis também pêras para duplicar a minha dádiva.
E apenas se me oferece dizer:
São tão-somente brancas faces
Onde pousaram profundos olhos negros.

Ibn 'Ammar

(Adalberto Alves)
publicado por RAA às 11:16 | comentar | favorito