24
Jun 11

CREPÚSCULO

Paira no azul do céu, fino, leve, de espuma,
um dolente languor de mulher tropical.
Há, na sombra que desce, um adejar de pluma...
Choram pelos jardins repuxos de cristal.

Tal um fumo sutil, sobe no espaço a bruma.
Não tarda o luar... pois já no olente laranjal
piscam centelhas de ouro, e ainda, entre as folhas, uma
palpitação fugaz de pedraria ideal.

Calam-se na distância as estivais cigarras,
cruzam morcegos o ar. Que estranha melodia
crava na alma da gente as sibilinas garras!

Que tumultos, que ondear de dúvidas, que vão
desejo de sofrer! Que lágrima sombria
cai no vazio horror do nosso coração!

Ronald de Carvalho
publicado por RAA às 14:34 | comentar | favorito
24
Jun 11

Cãtigua fua q hofereçe aa dyta fenhora com estas rrezões alegadas.

    Que faybaes q huu de nos
fenhora por vos sospira
do cuydado quele tyra,
eu o tenho ja por vos.

    Eu o tenho ja senhora
pera nele padeçer,
quem fe dele tyra fora
mays defeja de vyuer.
Qual mereçe mays de nos,
elle em quoanto fofpira,
ou eu de quem fe nam tyra
cuydado que vem de vos.

Nuno Pereira
publicado por RAA às 11:16 | comentar | favorito