ONTEM NA BOCA DO INFERNO

Ontem olhando o mar que penetrava

sob as escarpas num rumor difuso

de fim de primavera quando a brava

cratera do inverno esquece o uso

 

dado às águas, enquanto te escutava

como um vulcão de sentimento (escuso

falar-te do amor de que essa lava

de palavras mortais movia o fuso

 

nas nossas vidas oscilantes) vi

novamente na voragem no teu rosto

ao inferno descido O mar em ti

 

reflectia-se não como o reposto

equilíbrio das águas na estação

visível mas como água da paixão

 

Gastão Cruz

publicado por RAA às 23:06 | comentar | favorito