AO LONGE OS BARCOS DE FLORES

Só, incessante, um som de flauta chora,

Viúva, grácil, na escuridão tranquila,

-- Perdida voz que entre as mais se exila,

-- Festões de som dissimulando a hora

 

Na orgia, ao longe, que em clarões cintila

E os lábios, branca, do carmim desflora...

Só, incessante, um som de flauta chora,

Viúva, grácil, na escuridão tranquila.

 

E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,

Cauta, detém... Só modulada trila

A flauta flébil... Quem há-de remi-la?

Quem sabe a dor que sem razão deplora?

 

Só, incessante, um som de flauta chora...

 

Camilo Pessanha

publicado por RAA às 12:51 | comentar | favorito