14
Nov 11

SOIRS ÉTERNELS

Dans le parc, les oiseaux se querellent entre eux.

Aprés la promenade en de sombres allées,

On rentre; on mange ensemble, et tant de voix mêlées

N'empêchent pas les doux regards, furtifs, heureux.

 

Et la chambre drapée en tulle vaporeux

Rose de la lueur des veilleuses voilées,

Où ne sonnent jamais les heures désolées!...

Parfums persuadeurs qui montent du lit creux!...

 

Elle vient, et se livre à mes bras, toute fraîche

D'avoir senti passer l'air solennel du soir

Sur son corps opulent, sous les plis du peignoir.

 

À bas peignoir! le lit embaume. Ô fleur de pêche

Des épaules, des seins frissonants et peureux!...

Dans le parc les oiseaux se font l'amour entre eux.

 

Charles Cros

publicado por RAA às 17:07 | comentar | favorito

VIA CAIAPÓ

a saudade existe

quando você está

ao alcance

da mão

 

mas quando eu

estou longe

não

 

Antonio Risério

publicado por RAA às 14:26 | comentar | favorito
14
Nov 11

BERNARDO SOARES

Nenhuma fotografia fará subir a chama

da paisagem para lá da janela do terceiro

andar deste prédio. O real é uma abstracção

inútil, uma eternidade a que tivessem

 

cortando a sua face de sonho, um coração

onde nada pesa que não seja o peso

leve dos sentidos. A vida toda é este mover

das coisas mais próximas, os ombros

 

a bússola de viagem o desenho a tinta-da-china

de pequenos barcos coloridos

algumas vozes longínquas que logo fazem

viver as suas formas substantivas: pobre

 

de quem vê o que seus olhos vêem. Às vezes

é como se tudo tivesse uma alma um

destino superior às vogais do seu nome

um espaço onde a eternidade vem para morrer.

 

José Carlos Barros

publicado por RAA às 11:21 | comentar | favorito