21
Dez 11
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Dez 11

...

Alguns sobretudos atravessam o parque

Pequenas nuvens saem das bocas

 

Ana Maria Soares

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20
Dez 11
20
Dez 11

SONETO

Retrato da beleza nova e pura

Que com divina mão, divino engenho,

Amor retratou na alma, onde vos tenho

Das injúrias do tempo mais segura:

 

Não mostreis aspereza em tal brandura,

Por vos vingar de mim, vendo que venho

A tanta confiança que detenho

Os olhos em tamanha formosura!

 

O resplendor do Céu, sem dar mais pena

A quem olha seus olhos em direito,

A vista só por breve espaço assombra...

 

Mas vossa luz mais clara, mais serena,

Juntamente me cega e abrasa o peito:

Vede o Sol que fará, de que sois sombra!

 

Diogo Bernardes

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16
Dez 11

Massacre / Amor

autor: David S. Bruno [pseudónimo de Carlos J. F. Jorge]
título: Massacre / Amor
colecção: «Literatralhas NOBELizáveis #39, dirigida por Luís Filipe Coelho
editora: Apenas Livros
local: Lisboa
ano: 2007
págs.: 47
formato: 20,5x14,5x0,2 cm.
impressão: omisso
tiragem: 250
publicado por RAA às 18:39 | comentar | favorito
16
Dez 11

A UN ESTUDIANTE CAÍDO EN EL FRENTE DEL ESTE EN 1941

No vivió muchos días, pero sí grandes días.

Coleccionaba tardes silenciosas,

altas noches serenas,

sueños de niño que ha crecido de pronto

y no sabe qué hacer con tanta vida.

Los frutos caen cuando están maduros.

Él cayó antes de tiempo, pero a tiempo.

Sus vacaciones nunca terminaron.

No había cumplido veinte años. Nunca

enganó a una mujer,

delató a un compañero,

cerró las manos con codícia,

suspechó que sus padres le mentían,

que las palabras más hermosas

-- patria, Dios, destino, sacrifício --

eran sólo coartada de canallas.

Ya es leve tierra en dura tierra ajena.

Ninguna tierra fue dura para él.

Donde él estaba, estaba el Paraíso.

Si le queríais, no lloréis:

sonreíd como él sonreía

cuando una bala, piadosa, lo encontró.

 

José Luis García Martín

publicado por RAA às 14:47 | comentar | favorito
15
Dez 11
15
Dez 11

MATURIDADE

Maturidade, sinto-te na polpa

dos dedos; abundante e macia.

Saturada de sábias,

doce-amargas amêndoas.

 

És o tálamo para a morte,

o velame no porto.

 

Sob teu musgo, a pedra.

O silêncio em teu seio é prata

e sofrer o lavor

minucioso do tempo.

 

À tua sombra de pomar

ressoam passos do eterno

entre folhas: do eterno.

 

Ó pesado momento,

ó bojo cálido!

 

Henriqueta Lisboa

publicado por RAA às 14:43 | comentar | favorito
14
Dez 11
14
Dez 11

A LAREIRA

Filha da perderneira

Tem brasas nas entranhas,

Estrelas brilhantes em noite escura.

 

Diz-me lá se na verdade

Ela não é alquimista?

Fundiu carvão em lingotes de ouro

De alva prata marchetados.

 

Se o sopro solta o silvo

Ela dança em rubra túnica.

E ao fundir a sua acha

Nesse ouro em lingotes

A aurora simulou

Quando a noite já caía.

 

Se em seu redor tu nos visses

Certamente que dirias:

Ei-los que ali estão bebendo

E passando em seu redor,

De um vermelho alaranjado,

Taças de espesso licor.

 

Ibn Sara

 

(Adalberto Alves)

publicado por RAA às 15:28 | comentar | favorito
13
Dez 11

...

[...] O poeta aparece -- quando aparece -- aos olhos da comunidade enquanto o sem abrigo da escrita. E, pior ainda, o sem abrigo da própria vida e do próprio senso, pois que os dias não se compadecem dessa miséria adocicada que são os poemas. Entre proscrita pela cidade e insubordinada por natureza, o lugar da poesia é nenhum lugar. [...]

 

Paulo José Miranda

publicado por RAA às 16:09 | comentar | favorito
13
Dez 11

O ENTERRO DA CIGARRA

As formigas levavam-na... Chovia...

Era o fim... Triste outono fumarento!

Perto, uma fonte, um suave movimento,

cantigas de água trêmula carpia.

 

Quando eu a conheci, ela trazia

na voz um triste e doloroso acento.

Era a cigarra de maior talento,

mais cantadeira desta freguesia.

 

Passa o cortejo entre as árvores amigas...

Que tristeza nas folhas... Que tristeza!

Que alegria nos olhos das formigas!...

 

Pobre cigarra! Quando te levavam,

enquanto te chorava a natureza,

tuas irmãs e tua mãe cantavam...

 

Olegário Mariano

publicado por RAA às 14:42 | comentar | favorito
12
Dez 11

...

O amor sai-se a pescar co'a cana do Desejo,

e põe delícias de mulher no anzol como isca.

Tentado pela carne, o peixe humano morde,

e o amor apanha-o logo e no seu lume o frita.

 

Barthrari

 

(Jorge de Sena)

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12
Dez 11

GIRASSÓIS

Tem girassóis amarelos

o meu quadrado de sol

 

a vida espancada passa

mas o quadrado de sol

aberto sobre o jardim

os girassóis amarelos

velhos

mostram o fim.

 

José Luandino Vieira

publicado por RAA às 11:06 | comentar | favorito