17
Fev 12

DEPOIS DO AMOR

De mais nada posso falar,

só deste cheiro a fruta espessa, crua,

que de ti me fica nos dedos,

na polpa, entre as unhas,

mesmo depois do sabonete e da água corrente.

 

Luís Filipe Parrado

publicado por RAA às 14:30 | comentar | favorito
17
Fev 12

UMA CANTIGA

O que da razão não faz

uma firme barricada

de que é que será capaz

senão da dor de ser nada?

Pois vale a pena viver

a contrariar a vida?

Antes a vida perder

do que esta morte fingida.

Fique às nuvens e ao luar

a cobardia do céu.

Só quem sempre se afirmar

nunca de homem se perdeu.

 

Armindo Rodrigues

publicado por RAA às 10:46 | comentar | favorito