20
Fev 12
20
Fev 12

"Mesmo que eu morra, mesmo que os anos passem"

Mesmo que eu morra, mesmo que os anos passem,

Mesmo que para sempre em cinzas me transforme,

Uma jovem descalça pelos campos passará

E eu me animarei, a morte superando!

Como cálida poeira roçarei suas pernas

Que a macela perfumou com seu olor.

 

Stepan Shipachev

 

(Jorge Amado)

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19
Fev 12
19
Fev 12

Oração à Pátria

autor: João de Barros (Figueira da Foz, 4.II.1881 - Lisboa, 25.X.1960).
título: Oração à Pátria
edição: Livraria Aillaud e Betrand e Livraria Francisco Alves
local: Lisboa e Rio de Janeiro
ano: 1917
págs.: 87 págs.
21x16,5x1 cm. (encadernado)
impressão: Tipografia da «A Editora, L.da», Lisboa
capa: Raul Lino
obs.: decicatória autógrafa do autor a Madame Aillaud
publicado por RAA às 22:25 | comentar | favorito
17
Fev 12

DEPOIS DO AMOR

De mais nada posso falar,

só deste cheiro a fruta espessa, crua,

que de ti me fica nos dedos,

na polpa, entre as unhas,

mesmo depois do sabonete e da água corrente.

 

Luís Filipe Parrado

publicado por RAA às 14:30 | comentar | favorito
17
Fev 12

UMA CANTIGA

O que da razão não faz

uma firme barricada

de que é que será capaz

senão da dor de ser nada?

Pois vale a pena viver

a contrariar a vida?

Antes a vida perder

do que esta morte fingida.

Fique às nuvens e ao luar

a cobardia do céu.

Só quem sempre se afirmar

nunca de homem se perdeu.

 

Armindo Rodrigues

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16
Fev 12

Setúbal -- Terra de Poetas e Cantadores


título: Setúbal -- Terra de Poetas e Cantadores

apresentação: Daniel Pires

catalogação, coordenação e textos: Daniel Pires, Fernando Marcos, Quaresma Rosa

autores: Miguel Cabedo de Vasconcelos, Frei Agostinho da Cruz, António de Cabedo, Vasco Mouzinho de Quevedo, Francisco Manuel de Brito Mascarenhas, Miguel do Couto Guerreiro, Santos e Silva, Manuel Maria Barbosa du Bocage, António maria Eusébio "o Calafate", Manuel maria Portela, Mariana de Andrade, Pe. Caetano de Moura Palha Salgado, Paulino de Oliveira, Arronches Junqueiro, António Joaquim Henriques, Maria Campos, João de Castro Osório, Santos Cravina, Carlos Alberto Ferreira Júnior, Eduardo Carvalho, Cabral Adão, Gonçalves Martins, Alcindo Bastos, maria Adeliade Rosado Pinto, Germano António da Silva Monteiro, Sebastião da Gama, Armando Trindade, José Afonso, Artur Jorge Ramos Camolas e um poema anónimo; em extratexto, fac-símiles de poemas de Helder Moura Pereira, António Osório,Viriato Soromenho Marques, Fernando Gandra e Miguel de Castro, entre outros.

edição: Centro de Estudos Bocageanos

local: Setúbal

ano: 2001

págs.: 140+16

dimensões: 21x14,3x0,8 cm (brochado)

capa: neroli design sobre foto de Fernando Marcos

impressão: Armazém de Papéis do Sado

tiragem: 1500

obs. catálogo de exposição
publicado por RAA às 19:13 | comentar | favorito

...

A que morreu às portas de Madrid,

Com uma praga na boca

E a espingarda na mão,

Teve a sorte que quis,

Teve o fim que escolheu.

Nunca, passiva e aterrada, ela rezou.

E antes de flor, foi, como tantas, pomo.

Ninguém a virgindade lhe roubou

Depois dum saque -- antes a deu

A quem lha desejou,

Na lama dum reduto,

Sem náusea mas sem cio,

Sob a manta comum,

A pretexto do frio.

Não quis na retaguarda aligeirar,

Entre «champagne», aos generais senis,

As horas de lazer.

Não quis, activa e boa, tricotar

Agasalhos pueris,

No sossego dum lar.

Não sonhou minorar,

Num heroísmo branco,

De bicho de hospital,

A aflição dos aflitos.

 

Uma noite, às portas de Madrid,

Com uma praga na boca

E a espingarda na mão,

À hora tal, atacou e morreu.

 

Teve a sorte que quis.

Teve o fim que escolheu.

 

Reinaldo Ferreira 

publicado por RAA às 15:36 | comentar | favorito
16
Fev 12

...

o poeta que há em mim

não é como o escrivão que há em ti

funcionário autárquico

 

     o profeta que há em mim

     não é como a cartomante que há em ti

     cigana fulana

 

o panfleto que há em mim

não é como o jornalista que há em ti

matéria paga

 

     o pateta que há em mim

     não é como o esteta que há em ti

     cana a la kant

 

o poeta que há em mim

é como o vôo no homem pressentido

 

Chacal

publicado por RAA às 10:52 | comentar | favorito
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14
Fev 12

...

o teu sono anoiteceu mais que a noite

e hei-de escrever-te sempre sem que nunca

te escreva sei as palavras que fechaste

nos olhos mas não sei as letras de as dizer

ensina-me de novo se ensinares-me for

ir ter contigo ao teu sorriso ensina-me

a nascer para onde dormes que me perco

tantas vezes numa noite demasiado pequena

para o teu sono num silêncio demasiado fundo

dormes e tento levantar a pedra que te

cobre maior que a noite o peso da pedra que

te cobre e tento encontrar-te mais uma vez

nas palavras que te dizem só para mim

o teu sono anoiteceu mais que as mortes

que posso suportar e hei-de escrever-te

sempre e mais uma vez sozinho nesta noite

 

José Luís Peixoto

publicado por RAA às 19:52 | comentar | favorito
14
Fev 12

À ESPERA DOS BÁRBAROS

-- Que esperamos na ágora congregados?

 

          Os bárbaros hão-de chegar hoje.

 

 

--Porquê tanta inactividade no Senado?

Porque estão lá os Senadores e não legislam?

 

          Porque os bárbaros chegarão hoje.

          Que leis irão fazer já os Senadores?

          Os bárbaros quando vierem legislarão.

 

 

-- Porque se levantou tão cedo o nosso imperador,

e está sentado à maior porta da cidade

no seu trono, solene, de coroa?

 

          Porque os bárbaros chegarão hoje.

          E o imperador espera para receber

          o seu chefe. Até preparou

          para lhe dar um pergaminho. Aí

          escreveu-lhe muitos títulos e nomes.

 

 

-- Porque os nossos dois cônsules e os pretores

saíram hoje com as suas togas vermelhas, as bordadas;

porque levaram pulseiras com tantas ametistas,

e anéis com esmeraldas esplêndidas, brilhantes;

porque terão pegado hoje em báculos preciosos

com pratas e adornos de ouro extraordinariamente cinzelados?

 

          Porque os bárbaros chegarão hoje;

          e tais coisas deslumbram os bárbaros.

 

 

-- E porque não vêm os valiosos oradores como sempre

para fazerem os seus discursos, dizerem das suas coisas?

 

          Porque os bárbaros chegarão hoje;

          e eles aborrecem-se com eloquências e orações políticas.

 

-- Porque terá começado de repente este desassossego

e confusão. (Como se tornaram sérios os rostos.)

Porque se esvaziam rapidamente as ruas e as praças,

e todos regressam às suas casas muito pensativos?

 

          Porque anoiteceu e os bárbaros não vieram.

          E chegaram alguns das fronteiras,

          e disseram que já não há bárbaros.

 

 

 

 

E agora que vai ser de nós sem bárbaros.

Essa gente era alguma solução.

 

Konstandinos Kavafis

 

(Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis)  

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12
Fev 12
12
Fev 12

Observação Directa

autor: Ruy Duarte de Carvalho (Santarém, 1941 - Swakopmund, Namíbia, 2010).
título: Observação Directa
editora: Livros Cotovia
local: Lisboa
ano: 2010
págs.: 124
dimensões: 20,5x13x1 cm. (brochado + sobrecapa vegetal)
grafismo da capa: João Botelho
impressão: Tipografia Guerra, Viseu
tiragem: 1200 
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