07
Mai 12
07
Mai 12

O DESPRENDIMENTO

Não escrevas, se és Gênio, por vaidade.

Faze tudo o que deves por dever.

Sòmente a alma de apóstolo persuade

e obriga as almas débeis a poder.

 

Que o teu verbo, se és deus, ensine e brade

sacudindo os que morrem sem viver.

Só assim hás de ter sinceridade

para pensar e amor para escrever.

 

Não te lembres da glória, combatendo!

Ela virá quando tiver de vir,

no teu dia mais fúnebre e tremendo...

 

Ela cresce, entroculta, em teu porvir!

Sê digno de esperá-la, assim sofrendo,

sem desejos sequer de a conseguir.

 

José Oiticica

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06
Mai 12
06
Mai 12

Margarida



autor: Rubén Darío (Félix Rubén García Sarmiento (Metapa, Matagalpa, Nicarágua, 18.I.1867 -- León, Nicarágua, 6.II.1916)

título: Margarida

tradução: Tatiana Pereira

editor: Imaginarium

local: Saragoça

ano: 2003

págs.: [30]

dimensões: 16,2x16,5x1 cm. (cartonado)

ilustrações: Elena Odriozola

publicado por RAA às 17:18 | comentar | favorito
04
Mai 12
04
Mai 12

"Vai, se tens de ir -- disse ela. Rezarei"

Vai se tens de ir -- disse ela. Rezarei

para que os deuses te protejam sempre.

E aqui te juro que hei-de renascer

lá onde quer que fiques, meu amor.

 

Dandin

(Jorge de Sena)

publicado por RAA às 14:57 | comentar | favorito
03
Mai 12
03
Mai 12

ANTECIPAÇÃO

As patas da noite esmagam

os lírios débeis da aurora.

Por invisíveis estradas

negros cavalos galopam.

Ao longe brilham dois lagos

da cor triste de teus olhos.

Dunas de angústia se formam

nas praias frias da morte.

Agito os braços. É inútil

tentar opor à corrente

de areia e sangue, que avança,

os versos frágeis de um poema.

É inútil falar de rosas

e frutos novos e agrestes

flores, quando no peito,

cardos apenas florescem.

A aurora é doce. E anuncia

um dia calmo, entre o canto

dos pássaros e a alegria

da primavera nos campos.

Amada, não mais veremos

o dia que se levanta.

Negros cavalos galopam,

já é menor a distância...

Serão altas como nuvens,

no céu claro da manhã,

as rosas que hão-de nascer

de minha carne e teu sangue.

 

Domingos Carvalho da Silva

publicado por RAA às 12:56 | comentar | favorito
02
Mai 12
02
Mai 12

NA NÉVOA

Como é estranho andar no nevoeiro!

Sòzinha a pedra e a planta,

Uma árvore não vê a outra,

Solidão tanta.

 

Muitos amigos eu tinha

No tempo da vida viva;

Agora que a névoa cai,

De tudo a vista me priva.

 

Nada sabe quem não sabe

Como a treva nos separa

De tudo e todos, tão doce,

inescapável, avara.

 

Como é estranho andar no nevoeiro!

A vida é solitude -- não adianta.

Ninguém conhece um outro.

Solidão tanta.

 

Hermann Hesse

(Jorge de Sena)

publicado por RAA às 14:53 | comentar | favorito