PAI

Trago a morte comigo

e empresto-lha pai de longe...

 

No bosque que as vozes infantis modificam

 

Onde cai a húmida fonte

da força telúrica dos tis que picam

em vago bem-estar...

 

Onde a consciência se transforma

em silêncio pendular e riso...

Monte...

 

Forte, emboscado, conciso.

Doce lembrança,

que fosse bocado de cedro,

cheiro azedo, dança,

tinteiro, ternura...

 

Ainda o consigo imaginar...

Perdura inteiro, indeciso

na fulgurante pujança do recordar...

 

1 a 3.9.2000

 

Paula Paz

in Viola Delta, vol. XXX

(«poemas sobre o Pai»)

publicado por RAA às 13:32 | comentar | favorito