12
Jul 13

AQUI

continuar aqui

apesar de

 

roendo pedra

comendo amor

 

(montanhas?

são tão estranhas

 

acima -- impassível

l'azur l'azur l'azur...

 

na única cidade

com abóbada celeste

 

abaixo -- impossível

vida sem saída

 

labirintos: look around

the lonely people)

 

continuar aqui

à beira de

 

comendo pedra

roendo amor

 

Carlos Ávila

inClaudio Daniel e Frederico Barbosa,

Na Virada do Século -- Poesia de Invenção no Brasil (2002)

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12
Jul 13

PARA QUE AFLIGIRES-TE?...

Os teus hão-de deixar-te.

-- Para que hás-de afligir-te?

O frágil ramo verde

Da tua esperança há-de

Talvez cair quebrado

Antes de dar seu fruto.

-- P'ra que hás-de afligir-te?

A noite há-de cair

Por sobre o teu caminho.

-- Acaso poderás

Fazer parar a noite? --

Dia após dia, sempre

Hás-de acender a lâmpada.

E um dia a tua lâmpada

Talvez se apague... um dia.

-- Para que incomodares-te?

Ouvindo a tua voz

Os bichos da floresta

Virão a ti... No entanto,

Talvez em tua casa

Os corações de pedra

Não possam entender-te...

-- P'ra que serve afligires-te?

Se a porta está fechada

Vais-te, deixas a casa?

Bate à porta, persiste,

Empurra-a dia a dia.

          E talvez essa porta

          Nunca chegue a ceder...

Mas para que afligires-te?

 

Poesias de Tagore

(versão de Augusto Casimiro)

publicado por RAA às 13:12 | comentar | ver comentários (2) | favorito