14
Fev 14

"Baise m'encor, rebaise-moi et baise"

Baise m'encor, rebaise moi et baise:

Donne m'en un de tes plus savoureux,

Donne m'en un de tes plus amoureux;

Je t'en rendrai quatre plus chauds que braise.

 

Las, te plains-tu? ça, que ce mal j'apaise

En t'en donnant dix autres doucereux,

Ainsi mêlant nos baisers tant heureux,

Jouissons-nous l'un de l'autre à notre aise.

 

Lors, double vie à chacun en suivra,

Chacun en soi et son ami vivra

Permets m'Amour penser quelque folie;

 

Toujours suis mal, vivant discrètement,

Et ne puis donner contentement,

Si hors de moi ne fais qualque saillie.

 

Louise Labé,

in Pierre Rippert,

Dictionaire Anthologique da la Poésie Française (1998)

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14
Fev 14

IMAGEM

Ó corpo feito à imagem

de meu desejo e meu amor,

que vais comigo de viagem

pra onde eu for,

 

que mar é este em que andamos,

há três noites bem contadas

e não tem ventos nem escolhos

nem ondas alevantadas?

 

que sol é este, que aquece,

mas sereno, tão sereno,

que nem te põe menos branca

nem a mim põe mais moreno?

 

que paz é esta, nas horas

mais violentas e bravas?

(Sorrias: ias falar.

Sorrias e não falavas.)

 

que porto é este? esta ilha?

que terra é esta em que estamos?

(Era uma nuvem, de longe...

Deixou de o ser, mal chegámos.)

 

e este caminho, onde leva?

e onde acaba este jardim

que é tão em mim que é em ti?

que é tão em ti que é em mim?...

 

Ó alma feita à imagem

do sonho que me desmede

-- que sede é esta que temos

que é mais água do que sede?

 

Sebastião da Gama,

Pelo Sonho É que Vamos

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