VENDO A MORTE

Em todo o lado vejo a morte! E, assim, ao ver

Que a vida já vem morta cruelmente

Logo ao surgir, começo a compreender

Como a vida se vive inùtilmente...

 

Debalde (como um náufrago que sente,

Vendo a morte, mais fúria de viver)

Estendo os olhos mais àvidamente

E as mãos p'ra a vida... e ponho-me a morrer.

 

A morte! sempre a morte! em tudo a vejo,

Tudo ma lembra! E invade-me o desejo

De viver toda a vida que perdi...

 

E não me assusta a morte! Só me assusta

Ter tido tanta fé na vida injusta

...E não saber sequer p'ra que a vivi!

 

Manuel Laranjeira, Comigo (1912)

publicado por RAA às 23:46 | comentar | ver comentários (1) | favorito (1)